A ANIMAÇÃO BRASILEIRA É CAPAZ DE AMADURECER?-Animatoons

01/08/2012


Nos últimos anos, a animação brasileira finalmente encontrou maneiras de ser bem-sucedida. Algumas séries são frutos de parcerias com outros países, como é o caso de MEU AMIGÃOZÃO, coprodução entre Brasil e Canadá exibida pelo Discovery Kids. Sucessos como PEIXONAUTA e ESCOLA PRA CACHORRO são beneficiados também pela tecnologia, que deixou a animação mais fácil e barata.
Esses êxitos recentes são motivo de orgulho para todos nós. Mas a verdade é que ainda são muito raras as animações brasileiras que um espectador mais velho possa assistir sem precisar “voltar para a infância” ou “pensar como criança”. E isso é bastante desanimador.
Financeiramente, o campo infantil tem sido realmente o mais frutífero, mas a animação é uma indústria bilionária com potencial para render muito mais caso volte suas forças para a produção de longas-metragens. E longas animados só têm bilheterias respeitáveis quando apresentam histórias que possam ser curtidas por toda a família. Se não for assim, o filme vai precisar no mínimo contar com o peso de um nome conhecido, como aconteceu com os dois longas animados mais bem-sucedidos por aqui até hoje – XUXINHA E GUTO CONTRA OS MONSTROS DO ESPAÇO e o CINE GIBI da Turma da Mônica.
Os personagens fofinhos de formas simples e cores vivas podem até ser sucesso garantido nos canais infantis, mas não dá para querer que os pais se empolguem em pagar para ver esse tipo de coisa com os filhos no cinema. As bilheterias que filmes como A ERA DO GELO 3 e RIO alcançam por aqui provam que o brasileiro também gosta de uma animação bem feita. Por que nossos estúdios não conseguem produzir filmes animados que possam ser apreciados por todos?
Uma coisa que torna a situação difícil para os animadores brasileiros é que o público está cada vez mais exigente. As animações hollywoodianas têm orçamentos absurdos – ENROLADOS custou $200 milhões, e TOY STORY 3, $250 milhões -, e por isso podem exibir os mais deslumbrantes cenários e personagens que se pode criar com o auxílio de um computador. Sim, claro que ser feito em computação gráfica é um item indispensável para as animações desde que TOY STORY sacudiu o mundo do cinema.
Os EUA já têm uma indústria estabelecida, então os orçamentos multimilionários são coisa muito comum para as animações deles. É o contrário do que ocorre no Brasil, onde é difícil atrair investimentos e os $10 milhões usados em MINHOCAS – O FILME, do estúdio Animaking, são considerados um número alto.
Percebe-se entretanto que o problema da nossa animação vai além dos orçamentos baixos, mas também tem muito a ver com a inabilidade que nossos filmes têm tido para falar com o público. Em filmes animados, cada detalhe conta na construção do sucesso, e nos falta experiência para saber o que realmente faz a cabeça do espectador. E é possível sugerir que essa “falha de comunicação” com o público tenha a ver até com a forma como esses filmes são financiados.
Enquanto as animações estrangeiras lotam as salas dos cinemas brasileiros, as nossas próprias produções dificilmente conseguem se sustentar sem um auxílio muito comum também entre os filmes live-action daqui: as leis de incentivo do governo. Ora, se quem paga nossos filmes nem é o público, será que os cineastas não acabam esquecendo que têm em mãos um produto mercadológico? Que precisam pensar mais no apelo comercial que suas histórias e personagens poderão ter?
Essa fórmula, Hollywood sabe de cor. Em cada animação produzida por uma Disney ou Dreamworks, dedica-se um bom tempo não só ao desenvolvimento da história, mas também a cada detalhe, cada cor e cada roupa que torne um personagem mais atraente. Nosso país não tem a mesma tradição nessa área, claro… mas será que é exagero pensar que há um certo relaxo gerado pelo fato de que nossa indústria enxerga a animação como “arte para crianças”, e não como o produto bilionário que de fato é?
Temos boas produções adultas – das quais infelizmente a maioria dos brasileiros nunca ouviu falar. O animador Otto Guerra é um dos principais representantes das nossas animações para maiores de 8 anos. Veterano na produção de curtas-metragens, em 2006 ele lançou o elogiado longa WOOD & STOCK, adaptação dos quadrinhos de Angeli. Seu próximo trabalho é ATÉ QUE A SBÓRNIA NOS SEPARE, comédia musical baseada na peça “Tangos e Tragédias”. LUTAS, de Luiz Bolognesi, é outro animação mais madura que deve estrear em breve.
São projetos promissores. Mas é fácil perceber que esses filmes sofrem de um mal inverso ao das séries do Discovery Kids – eles não são atraentes para as crianças, e também não são capazes de chamar a atenção dos adultos que acham que desenho é coisa infantil e só veem esse tipo de filme ao lado dos filhos. Por isso dificilmente conseguirão números realmente satisfatórios nas bilheterias.
As animações daqui parecem não conseguir achar um meio termo entre o extremamente infantil e o extremamente adulto. E isso é um problema sério: os desenhos americanos só são o que são por sua capacidade de falar com gente de todas as idades.
A falta de maleabilidade dos nossos filmes repele o público e nos impede de crescer.
Não esqueça de visitar o site: http://www.animatoons.com.br

QUEM ESCREVEu esse artigo?

A.J. Oliveira é editor do ANIMATOONS desde dezembro de 2008 e já comeu ratatouille, mas não recomenda.

Fonte: Animatoons
Importante: Esse artigo e texto pertence ao site Animatoons, portanto devemos todos os créditos desse post ao A.J. Oliveira, responsável pelo site. Resolvemos compartilhar esse artigo pois como vocês sabem, só compartilhamos aquilo que achamos que realmente é de grande valia.
Peço aos responsáveis por esse artigo que, caso queiram que o Cinequarto retire esse post, retiraremos, caso contrário, agradecemos por nos deixar compartilhar com os nossos leitores esse excelente artigo.

© Cinequarto

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